Sábado – Ian McEwan

Não é dos melhores livros de McEwan. Sábado conta a história do neurocirugião londrino Henry Perowne, a partir de uma sexta-feira à noite até o amanhecer de um domingo.

O livro é, na maior parte do tempo, entediante. Longas descrições de cirurgias e doenças, longas digressões de Perowne sobre a Guerra do Golfo, o que torna o livro imensamente datado, briguinhas bobas de família, entre neta e avô, entre pai e filha, uma longa e inútil narração de uma partida de squash.

A família retratada por McEwan é quase uma impossibilidade ou uma afronta às nossas famílias comuns. Todos são pessoas de sucesso. Um avô e sogro, poeta premiado, que mora em um castelo na França. Perowne, neurocirurgião conceituado, Rosalind, mulher dele, advogada conceituada, filho músico e compositor de jazz, filha poeta premiada. Perowne e filhos moram em uma casa enorme no centro de Londres. Salvo engano de tradução, a casa tem dois mil e cem metros quadrados.

O amor idiota de Perowne por seu automóvel e um acidente bobo de trânsito conduzem a trama para o desfecho. A decisão de Perowne de parar de jogar squash e de correr quando completar cinquenta anos é de uma imbecilidade incompatível com a profissão dele, pois se sabe que há pessoas de setenta anos e mais praticando esportes, dentro de seus respectivos limites.

É curioso observar que McEwan criou um personagem que não gosta nem compreende nada de literatura. É até interessante, pois há realmente muitas pessoas assim. Entretanto, a submissão de Perowne às indicações literárias da filha é enervante. Para ter fibra e força, esse personagem deveria mandar a filhota pastar. Filhos não pautam o gosto cultural dos pais e, caso tentem, devem ser rechaçados. Cabe notar que encontrei um erro de continuidade e de revisão, como acontece nos filmes. Em dado momento, Perowne sai do banheiro e vai olhar a praça da janela. Olha a praça e pensa nos acontecimentos do dia. Então, segura-se na pia e continua a olhar a praça e meditar.

Pergunto-me, ainda, quem gostaria de ter, ou ficaria feliz com a vida de Perowne e Rosalind que trabalham até a exaustão, inclusive aos sábados. Enfim, pouca coisa se salva nesse romance sem fibra. Não recomendo.

Caso você queira ver a opinião de alguém que gostou do livro, clique aqui e veja a de Aguinaldo Médici Severino.

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