Histórias para lembrar dormindo – Braulio Tavares (2012)

Histórias para lembrar dormindo – Braulio Tavares (2012) – com ilustrações de Christiano Menezes – Editora Casa da Palavra – 176 páginas.

Este é um livro divertido e de leitura rápida. São dezenas de histórias curtas, quase todas com o mesmo tamanho, pois foram escritas para uma coluna diária que Braulio mantinha no Jornal da Paraíba. A diversidade de temas abordados mostra quão prolífica é a imaginação do autor. Braulio cria histórias que vão desde narrativas do sertão até a ficção científica, os games e o universo fantástico. A limitação de tamanho revela-se, algumas vezes, um problema, pois alguns contos parecem não concluídos, parecem que precisavam de mais desenvolvimento. De todo modo, é livro que se lê com interesse e em poucas horas.

Trechos:

“Toda mulher sabe. Está gravado nos seus neurônios com o mesmo dedo de fogo com que os Dez Mandamentos estão gravados nas Tábuas de Moisés. Se um dia, antes do jantar, um marido sair dizendo que vai comprar cigarros, ele nunca mais volta.”

“Quando uma prospecção federal descobriu um filão aurífero numa fronteira da fazenda, Izaque reagiu a bala, apossou-se do sítio, e mandou para a Secretaria de Segurança um caixote de sal com três cabeças de geólogos.”

“Aceitava o gigantesco desperdício que é viver. Quando tinha insônia, aconchegava-se ao travesseiro e ao consolo de não estar numa madrugada fria, levando chuva num ponto de ônibus deserto.”

“Ela o fez entrar. Não era velha e cheia de feridas como ele imaginava, era muito branca, toda redonda, e cheirava a alfazema.”

“Gente que vinha de fora viu; velho viu, criança viu, até Seu Cincinato, o ateu da vila, teve que confessar que viu também, mas disse que o nome daquilo era alucinação coletiva.”

“A plebe, que mal compreendia as nuances de funções tão diferenciadas, as chamava de Carrascas, e afastava-se à sua passagem quando elas, sempre em dupla, cruzavam a praça ou percorriam o mercado, trajando véus de musselina por sobre a cota de malha que lhes protegia o torso, e conduzindo espadas leves e mortais à cinta.”

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