Sei personaggi in cerca d’autore. Luigi Pirandello, 1921

Sei personaggi in cerca d’autore. Luigi Pirandello, 1921.

Li a peça de Pirandello em italiano para melhorar a minha compreensão da língua. O título da peça já me fazia esperar o que viria, personagens, em um teatro, em busca de um autor que lhes desse sentido. O diretor e um grupo de atores estão ensaiando uma peça quando seis personagens invadem o teatro e o palco exigindo mostrar sua história. De início, não gostei de como a peça se desenvolve. Muita discussão e muita interrupção de parte a parte. Não conseguia acompanhar a história que os personagens contavam, pois eram continuamente interrompidos por diretor e atores. Minha impressão, mesmo ao final da peça, é que a história se desenvolveu aos tropeções. Enfim, temos seis personagens que foram abandonados por um autor, que não julgou interessante continuar a elaborá-los. Discute-se, então, a função dos personagens, do autor, dos atores, do próprio teatro. Quando terminei de ler, percebi que a peça era melhor do que eu pensara, inicialmente. Entretanto, a mim me parece que falta mais trabalho do autor, mais definição, mais elaboração. Quando terminei de ler, me deu vontade de reler para entender melhor. É necessária uma segunda leitura, sim.

Hades, Olimpo

Qual filho de deus caminhava sobre as águas?
Órion, filho de Netuno, recebeu do pai o poder de andar sobre as águas.
Quem sobreviveu ao dilúvio?
Deucalião e Pirra, escolhidos por Zeus para repovoar o mundo. Zeus estava descontente com a humanidade e provocou um dilúvio que cobriu o planeta.
Qual filho de deus subiu aos céus?
Hércules. Pouco antes de Hércules morrer, Zeus fez com que ele ascendesse ao Olimpo para que o seu corpo não sofresse a decomposição.
Que virgem teve um filho de um deus?
Várias. Dânae, virgem, foi fecundada por Zeus, este disfarçado em chuva de ouro. Europa, virgem, foi raptada por Zeus, transformado em touro, que a levou para Creta onde se consumou a relação. Antíope, virgem que Zeus fecundou disfarçado de sátiro. Todas tiveram filhos do relacionamento com o deus.
Que entidade é adorada nas encruzilhadas?
A deusa Hécate era a senhora das encruzilhadas, onde erguiam-se templos em sua homenagem e depositavam-se oferendas.
Como as almas reencarnam?
As almas dos bons habitam durante mil anos nos Campos Elísios, uma região do Hades. Depois desse tempinho, bebem a água do Rio Letes, o rio do esquecimento, apaga-se a memória de suas vidas passadas e voltam a uma vida terrena.

Il piccolo principe. Antoine de Saint-Exupèry. 1943.

60. Il piccolo principe. Antoine de Saint-Exupèry. 1943. Tradução para o italiano de Wirton Arvel. Edição bilíngue. Não tenho certeza, mas acredito que, em tempos remotos, eu já houvesse lido este livro. Não gostei e não gosto. Li agora apenas para poder praticar e aprender a língua italiana. Não gosto de livros fantasiosos e de livros que procuram dar lições-zinhas, seja com fundo moral ou sobre amor, amizade, essas pieguices. Ainda bem que o rapazinho morre no final do livro, eu não recordava isso. A história, você sabe, é sem pé nem cabeça. Um príncipe de reino nenhum parte em viagem por diversos planetas anômalos. O autor não estabelece um normativo para que as viagens aconteçam. Entretanto, para partir do planeta Terra em direção ao seu planeta de origem, o príncipe é obrigado a “morrer”, pois o corpo que usa é muito pesado para a viagem. Puf. Detestei. A edição em kindle é boa, com o texto em francês e italiano disposto em colunas paralelas.

Notas esparsas, um sonho

59. Um sonho estranho. De bicicleta, eu visitava uma fazenda, ou um engenho de cana-de-açúcar. Estava lá para orientar o proprietário sobre a compra de uma impressora de grande porte. O meu cérebro puxou este detalhe da conversa com o médico, eu falei que queria comprar uma impressora mais adequada. Conversava com o proprietário sobre impressoras, chegavam dois caras representantes da marca de impressora. Haviam trazido uma impressora para testes. Era uma impressora imensa, viera na caçamba de um caminhão, era quase do tamanho do caminhão. Eu fui ao menos duas vezes, de bicicleta, olhar a impressora mais de perto. No escritório, eu dizia aos vendedores impossível, a fazenda não precisava de uma impressora monumental como aquela. O escritório possuía enormes janelas de vidro,  via-se o céu imenso e a fazenda, falávamos da impressora, o escritório era parte de um galpão. Pelo grande vidro, vi que um avião se aproximava, já enorme no céu, a fuselagem de cor azul marinho e branca, gritei, interrompi a conversa, mandei correr, acidente, o avião vai cair aqui. É evidente que, na “vida real”, a queda de um avião é como tomar um tiro, instantâneo, medonho, à jato. O sonho se tornou em câmera lenta, ou eu é que não conseguia agir rapidamente. O sonho passou a se parecer com filme. Eu corri em direção à porta do escritório que abria para dentro do galpão, via os outros correndo em várias direções, pensava que era uma merda correr para dentro do galpão, queria ir para fora, vi a luz do dia através das grandes portas do galpão, corri em direção a elas. Ao mesmo tempo, já o avião começava a derrubar tudo, o teto, vigas de madeira começavam a cair, eu só queria fugir, não queria ficar preso debaixo de destroços, corria e não conseguia chegar ao lado de fora, mais destruição, o avião ou parte dele parecia se arrastar pelo terreno e uma onda escura de terra e destroços me cobria e tudo ficava escuro e eu acordei. Acordei com a respiração ofegante, quase sem fôlego. Isso me impressionou grandemente: como um sonho se transformava em algo físico. O sonho, que é virtual, que não existe, fazia o organismo reagir como se eu estivesse realmente correndo, fatigado, sufocado.

Adlestrop – Edward Thomas

Adlestrop – Edward Thomas (tradução de Paulo Mendes)

Sim, eu me lembro de Adlestrop –
O nome, porque em uma tarde
De calor, o trem expresso parou lá
Inesperadamente. Foi no final de junho.

O silvo do vapor. Alguém limpou a garganta.
Ninguém desceu e ninguém veio
Da plataforma vazia. O que eu vi
Foi Adlestrop – apenas o nome

E salgueiros, brincos-de-princesa, e grama,
E rainhas-dos-prados, e fardos de feno seco,
Nenhum pedacinho menor na justa solidão
Que as altas nuvenzinhas no céu.

E naquele instante um assum-preto cantou
Ali por perto, e depois dele, em surdina,
Nos longes e além, todos os pássaros
De Oxfordshire e Gloucestershire.

………….

Yes, I remember Adlestrop —
The name, because one afternoon
Of heat the express-train drew up there
Unwontedly. It was late June.

The steam hissed. Someone cleared his throat.
No one left and no one came
On the bare platform. What I saw
Was Adlestrop — only the name

And willows, willow-herb, and grass,
And meadowsweet, and haycocks dry,
No whit less still and lonely fair
Than the high cloudlets in the sky.

And for that minute a blackbird sang
Close by, and round him, mistier,
Farther and farther, all the birds
Of Oxfordshire and Gloucestershire.

Notas esparsas

  1. Filme três . A corrente do mal. Não foi perda de tempo total, mas quase. É a história de um tipo de maldição transmitida pelo sexo. A moça faz sexo com um rapaz e pega a maldição. Seres lentos, que somente o amaldiçoado vê, tentam se aproximar da moça para matá-la. Como são lentos, dá tempo de fugir, mas eles a alcançarão sempre, a menos que ela passe a maldição adiante. É um filme mais tranquilo e, talvez, até mais elaborado que esses filmes de terror que só fazem dar sustos. Entretanto, tem muitos furos e o final não finaliza, deixa tudo em suspenso. Essa maldição que contamina pelo sexo me fez pensar na Aids, a maldição contemporânea, sem dúvida. De qualquer modo, um filme muito melhor sobre um demônio que passa de um ser vivo para outro pelo toque é aquele com Denzel Washington, não recordo o nome.