Ulysses – James Joyce (1922)

Ulysses – James Joyce (1922), 1.112 páginas, Penguin Companhia, tradução de Caetano Galindo.

O Ulysses de Joyce não tem um personagem chamado Ulysses. Um dublinense sai de casa cedo para ir ao enterro de um conhecido. No caminho, toma um banho, faz compras, adianta seus pequenos negócios. Depois do enterro, almoça em um lugar qualquer, encontra conhecidos, olha as mulheres e meninas nas ruas, entra em um pub ou outro, conversa, discute, caminha pelas ruas da cidade. Um amigo mais jovem envolve-se em uma pequena briga e eles caminham até a casa do mais velho, conversando na madrugada. Continuam a conversa tomando leite com chocolate na sala da casa. Ele convida o jovem para dormir lá, o convite não é aceito. A visita vai embora, o homem deita-se ao lado da sua esposa e dorme.

Mais resumido: Ulysses, a história de um homem que sai de casa de manhã e retorna de madrugada. Mais ainda: um flâneur em Dublin.

Ulysses, não gostei gostando, gostei não gostando.

Ulysses, Joyce, é entediante, monótono, em muitas partes, e se há algo de inovador na linguagem, parece-me somente aquele fazer de juntar palavras, semelhantes ou não, relacionadas ou não, e o fluxo de pensamentos. Não parece difícil escrever dessa forma. Guimarães Rosa é melhor e mais inteligente.

As duas partes finais do livro são melhores, mais divertidas e interessantes que as partes anteriores. O passeio de Bloom e Dedalus na madrugada. O monólogo de Molly. Creio até que se alguém lesse essas duas partes primeiro, entenderia melhor o resto do livro. Quem sabe Joyce escreveu primeiramente essas duas partes e depois colocou-as no final? Era um escroto.

Ulysses, é fácil fazer, é o fluxo do pensamento de Bloom, são as coisas e lugares e pessoas que vê nas ruas, um pensamento ou outro, frases incompletas, invertidas, e é tudo.

Ulysses foi escrito em 1922, Joyce pergunta em dado ponto, o que há em um nome, e Gilberto Freyre pergunta, em 1983, acerca do bairro onde morava, Apipucos, que há num nome. Um nome é uma escolha e, evidentemente, comporta significados.

Bráulio Tavares e ele falava de Ulysses Joyce e mais e dizia algo como “ler um livro no cru, sem informação prévia, uma leitura a partir do zero”.

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