Rendezvous with Rama, Arthur Clarke, 1973

Rendezvous with Rama, Arthur Clarke, 1973, em inglês, 256 páginas.
Não gostei do livro. Leria novamente porque gosto de ficção científica. Não gostei porque o enredo tem muitas falhas, o livro é esquemático, parece aqueles livros escritos com facilidade, com uma mão nas costas, escrito preguiçosamente. Não me importa que o livro tenha ganho dois, três prêmios de ficção científica, não é bom mesmo assim.
Se você não quer conhecer excessivamente a história, não leia a seguir.
Decidi ler este livro porque um objeto estranho adentrou o sistema solar, por estes dias, foi batizado de Oumuamua, muita gente interessada em questões do espaço recordaram ou citaram o livro de Clarke, fui ler.
Enredo: o ano é 2131 e uma nave espacial gigantesca de formato cilíndrico, 50 km de comprimento por 20 km de diâmetro, entra no sistema solar. Os United Planets enviam uma nave espacial, Endeavour, para pousar no cilindro e explorá-lo como for possível enquanto ele não sair do sistema solar.
Falhas:
– estrutura esquemática do romance: um capítulo mostra as peripécias da Endeavour em Rama, o próximo mostra tediosas reuniões de um conselho de embaixadores de planetas que discutem a questão Rama.
– ações sem motivação: a nave Rama parece despertar quando se aproxima do sol, pensa-se que ela vai entrar em órbita, ou que ela está se preparando para o despertar de seus possíveis habitantes, a nave é tomada por biots, seres mistos entre orgânicos e robôs. Pouco depois, todos os seres são destruídos para futura reciclagem, a nave entra hibernação novamente, atravessa a coroa solar e vai embora. Ora, se o objetivo da nave, declarado pelo autor, era se abastecer de energia e aumentar a velocidade em direção a um objetivo longínquo, para quê toda aquela atividade anterior? Para nada.
– falta de visão de futuro: Ray Bradbury, que não é um gênio nem nada, previu em seus livros coisas como jogos virtuais em rede, pessoas viciadas em interações virtuais, quartos e salas completamente dedicados ao divertimento televirtual, televisivo. Clarke, neste livro, parece não exercitar a imaginação. Há mapas de papel e cópias são distribuídas, as comunicações por rádio são caras, os astronautas não possuem equipamentos para se mover no vácuo por longo tempo e resolvem tudo dentro de Rama a pé, as baterias dos equipamentos que possuem duram pouco.
– machismo: Bradbury descrevia a sociedade que habitava Marte com mulheres donas de casa, homens que trabalhavam para sustentar o lar, e negros que eram discriminados, ou seja ele não conseguiu se libertar da visão de mundo de sua época, neste aspecto. Clarke também não conseguiu extrapolar pelo menos um pouco a sociedade de 1973. Há duas mulheres entre a tripulação da nave, uma delas, a médica, dá para o comandante da nave. Este, como é permitido em 2131, é casado com uma mulher na Terra e outra em Marte. Elas cuidam dos filhos em seus planetas. Para facilitar, nas mensagens que envia para elas, ele evita dizer o nome de cada uma, assim ele pode enviar a mesma mensagem repetida. Não há mulheres no tal conselho dos planetas.
Por fim, a esse respeito, penso que um livro qualquer pode contar uma história essencialmente masculina, o personagem pode ter uma visão masculina ou machista, ora é um personagem!, entretanto, quando se trata de uma ficção científica ambientada no futuro, o autor deveria se esforçar para projetar-imaginar evoluções-revoluções sociais e científicas, e não apenas ficar no rame-rame preguiçoso. Decepcionante este livro de Clarke.

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