Começo, meio, fim

Uma história com datas, cronológica, começo, meio, fim. Sim, todos sabem que os textos clássicos, Odisséia, Eneida, começam com a aventura em andamento, retornam ao começo, depois continuam e concluem a história do herói, um modelo B, A, C, D, etc. Sim, sim, mas quando esse método é usado com menos talento, ou sem motivação forte, resulta mero artifício insosso. Enéias sofria as agruras de uma tempestade que não o deixava alcançar a costa da Itália, então aportava na África, próximo a Cartago, era recebido na corte de Dido e ali narrava sua história desde que partira de Tróia. Quando Naipaul usa esse esquema B, A, C, não é uma epopéia, não há façanhas épicas na parte A, era apenas a história da infância do personagem, o A poderia vir simplesmente na posição inicial. Além disso, a parte C desmerece as partes A e B. Elvira Vigna usa um esquema B, A. Um longuíssimo e tedioso B seguido por um interessante e curto A. Apenas técnica, sem motivação. Seria uma história melhor em A e B, um A mais robusto e um B menor e menos recheado de incertezas da autora.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s