O conto da aia, Margaret Atwood, 1985

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O conto da aia, Margaret Atwood, 1985, 368 páginas, Rocco, tradução: Ana Deiró.

O livro foi escrito em 1985 e ganhou ainda mais destaque a partir de 2016 por conta de uma série de televisão nele baseada.

A história é narrada em primeira pessoa por uma das aias, da qual não saberemos o nome verdadeiro. O enredo trata de uma distopia (lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação; antiutopia, Houaiss), gosto de livros que falam de distopias, nosso próprio planeta é uma distopia que não percebemos.

O livro retrata um lugar que era os Estados Unidos, as informações nos são passadas pela narração da aia, e apreendemos de forma fragmentada a situação e suas origens. Havia uma epidemia de infertilidade, nasciam pouquíssimas crianças, houve um golpe de estado, o presidente e o congresso foram eliminados, bem como a Constituição. Implantou-se um tipo de teocracia inspirada parcialmente na Bíblia. Todas as mulheres perderam seus direitos, as mulheres jovens e férteis foram recrutadas para os serviços de reprodução da nova classe dirigente. O antigo país está dividido e há algum tipo de guerra civil. A elite dirigente usa um sistema de Olhos, um tipo de espionagem semelhante ao Big Brother de Orwell e, evidentemente, aos sistemas nazistas e soviéticos. A aia que narra a história teve sua união anterior declarada ilegal, foi separada do companheiro e da filha. Depois de reeducada, está a serviço, sexual, reprodutivo, de um Comandante e sua Esposa, membros da alta classe governamental.

É um livro muito bom, bem escrito, longo mas não cansativo, um livro que faz pensar e que daria margem a muitas conversas com amigos, se estes não forem leitores exclusivos de twitter e whatsapp. Uma falha do livro é o apêndice que dá algumas informações extras, “históricas”, sobre o processo de desintegração social e cultural da época da aia. Penso que é apêndice desnecessário, a história é rica em si mesma, não necessitava desse tipo de “explicação”.

Vale a pena ler e reler.

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