Uma vida pequena, Hanya Yanagihara, 2015

Uma vida pequena, Hanya Yanagihara, 2015, 784 páginas, Record, tradução de Roberto Muggiati.

Um excelente livro. A história de quatro amigos desde quando se conhecem na faculdade até um pouco mais do que a maturidade. O livro conta um pouco de cada um dos quatro, mas se concentra mesmo na história da vida de Jude St. Francis. A infância e a juventude de Jude foram terríveis, abusado sexualmente em um mosteiro e em um orfanato. A história é bem escrita, sem melodrama, e prende o leitor, eu devorei as setecentas e tantas páginas.

Como falha, penso que o extremo sucesso profissional dos quatro é irreal, todos, em algum momento, se tornam ricos e viajados, possuem diversos imóveis em diferentes países. Irreal. Não é uma vida pequena, embora toda vida seja pequena. Outra falha é uma certa repetição das situações em que Jude não aceita qualquer tipo de auxílio com suas dificuldades, como foi também apontado por Taize Odelli em seu blog. Não gostei, também, de certas mortes em acidente de automóvel. É muito fácil, penso, matar um personagem em acidente de automóvel. Franzen fez isso em um de seus livros e não gostei também.

Eu gostaria, ainda, que a autora tivesse explorado mais o personagem JB, fascinante e controverso, mas que fica à margem da história de Jude. JB e Jude são os melhores personagens, enquanto Willem e Malcolm são aguados. Vale muito a pena ler este livro.

Lençol

Homem matou as duas filhas a tiros e se matou. Ele se matou na rua, a fotografia mostrava um corpo no chão, coberto por um lençol, um pé de fora do lençol. As meninas tinham um ano e três anos. Foi na terça-feira de carnaval, de tarde.

A falsificação de Vênus, Michael Gruber, 2008

A falsificação de Vênus, Michael Gruber, 2008, 365 páginas, tradução de Beatriz Horta.

Encontrei esse livro em uma pilha de livros usados, promoção a dez reais. A capa, um pouco confusa, misturava Velázquez e um dos quadros dele, mas, mesmo assim, me fez pegar o volume. Gostei bastante do livro e da história, intrigante, mas não gostei do final. De início, a história conta de um talentoso pintor de Nova York que se mal sustenta com pequenos trabalhos de ilustração para revistas. O pintor recebe uma encomenda para refazer um teto de um palácio em Veneza. Ao mesmo tempo, o pintor tem visões, ou momentos de ausência, em que se vê como Velázquez, pintando e vivendo na corte espanhola do século xvii. Em outros momentos, o pintor pobre acorda e se vê como um pintor famoso e rico em Nova York. A história também trata com bastante verossimilhança da falsificação de quadros. É um enredo interessante e prende o leitor. Entretanto, o final indefinido, a falta de clareza sobre “o que é a verdade” estraga o prazer da leitura, na minha opinião.

Carbono alterado, Richard Morgan, 2001

Carbono alterado, Richard Morgan, 2001, 490 páginas, tradução Edmo Suassuna. A história se desenvolve no século XXV. A mente humana, a personalidade, tudo, pode ser armazenada em discos e colocada em qualquer corpo. Os mais ricos dispõem de muitos corpos à disposição, portanto são quase imortais. Os mais pobres, economizam durante a vida para ao menos poder comprar um corpo. A pena para os crimes é o armazenamento. A depender da gravidade do crime, o armazenamento pode ir de meses a centenas de anos. Os corpos dispõem de diversos melhoramentos e implantes, ao gosto do comprador. As drogas existentes são inúmeras, tanto para afetar a mente quanto os corpos. Essas são a parte mais criativa do livro. O enredo é confuso, complicado, com excesso de personagens e, ao mesmo tempo, clássico: o detetive durão e machão e fortão e sem medo que é contratado para desvendar um assassinato. Sexo e violência e belas mulheres dispostas ao sexo com o detetive. A grande falha da história é a vontade explícita do detetive de consertar a vida de gente sofredora que acabou de conhecer. O cara é um ex-militar feroz e treinadíssimo, essa empatia soa descabida. De todo modo, o livro prende o leitor e devorei as 490 páginas em poucos dias.

Os meninos da Rua Paulo, Ferenc Molnár, 1907

Os meninos da Rua Paulo, Ferenc Molnár, 1907, 264 páginas, Cosac & Naify.
Um livrinho gostoso que se lê rapidamente. Não gostei muito pois me parece uma leitura para crianças e adolescentes, não me emocionou ou trouxe recordações de infância. O destino do menino lourinho, o mais novo, me parecia evidente desde quase o início. Uma historinha boinha de ler mas não me acrescentou muito. Gostei mais de conhecer um pouco da vida de Ferenc Molnár, o autor, e de Paulo Rónai, o tradutor.