Cixin Liu

A floresta sombria, Cixin Liu, 2017, Suma de Letras, 472 páginas, tradução de Leonardo Alves.
El fin de la muerte, Cixin Liu, 2018, Nova, 736 páginas, tradução de Agustín Alepuz Morales.
 
Foi uma perda de tempo ler os volumes dois e três da trilogia de Cixin Liu. O autor se perdeu na longa história, desperdiçou bons aspectos, estendeu demais alguns ramos paralelos, deixou de contar boa parte da história.
Spoiler.
Uma outra civilização, os trissolarianos, descobriram o planeta Terra, muito melhor que o deles. Como detêm tecnologia avançada, embarcaram em mil naves para invadir a Terra. A viagem é longa e a Terra tenta se preparar para a invasão. No segundo volume, conta-se que o Universo é um bosque obscuro, ou floresta sombria, na qual muitas civilizações se escondem, visto que revelar sua posição é arriscar a ser invadido ou destruído. As civilizações mais poderosas preferem, inclusive, destruir aquelas que podem vir a ameaçá-las. Assim, o cientista Luo Ji descobre uma maneira de evitar a invasão trissolariana: ele ameaça divulgar a localização do sistema Trissolaris e mesmo a localização da Terra, o que levaria a destruição de ambas as civilizações. No terceiro volume, que é muito confuso, Luo Ji deixa de ser o guardião do sistema de divulgação da localização e sua sucessora não tem coragem de ativar o sistema. Trissolaris volta a se dirigir para invadir a Terra. Contudo, uma nave terrestre no espaço ativa o sistema de divulgação e o sistema Trissolaris é destruído por alguma outra poderosa civilização. A Terra também tem sua localização revelada ao Universo e corre perigo. Novamente, ao longo de décadas e séculos, a Terra se prepara para a destruição do Sol e dos quatro primeiros planetas. Contudo, o projétil de destruição enviado não é uma bomba ou algo explosivamente semelhante. É um instrumento que transforma o espaço tridimensional em bidimensional. Somente duas mocinhas terrestres conseguem escapar do sistema Solar e voam para bem longe, em anos-luz. Contudo, todo o Universo vai entrar na bidimensionalidade e bilhões de anos depois, implodir e explodir em um novo Big Bang.
Dessa salada, que resumi imensamente, o autor poderia ter tirado um bom livro, mas não o fez. Um monte de personagens some, ou é mal aproveitado, ou não resultam, ou desaparecem de uma hora para outra. Para citar alguns desperdícios do autor: a Organização Terra Trissolaris poderia ser melhor aproveitada na trama, mas é pouco descrita e some; a separação repentina e sem justificativa entre Luo Ji e sua esposa, surpreendente visto que a paixão entre os dois era imensa; o destino, a organização, o modo de vida e de decisões dos trissolarianos não é minimamente explorado.
Enfim, o autor ganhou vários prêmios sem ter mérito para isso. Ainda dei nota dois. 

The Three-Body Problem – Cixin Liu

A ficção científica é um gênero menor dentro da literatura séria. Raramente, um livro de FC se torna um clássico e influencia o pensamento dos leitores e da sociedade. Entre esses casos raros, tem-se o Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, e o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

41GhsAknK3L._BO2,204,203,200_PIsitb-sticker-v3-big,TopRight,0,-55_SX324_SY324_PIkin4,BottomRight,1,22_AA346_SH20_OU32_

41F7Udiwd+L._BO2,204,203,200_PIsitb-sticker-v3-big,TopRight,0,-55_SX324_SY324_PIkin4,BottomRight,1,22_AA346_SH20_OU32_

Este livro, The Three-Body Problem, de Cixin Liu, é muito interessante e prende o leitor ao longo de suas 400 páginas, mas não se classifica entre os inesquecíveis da ficção científica.

516sVFao8vL._BO2,204,203,200_PIsitb-sticker-v3-big,TopRight,0,-55_SX324_SY324_PIkin4,BottomRight,1,22_AA346_SH20_OU32_

Não há spoiler em dizer que o enredo trata de uma civilização situada a 4 anos-luz de distância da Terra, e que vive em um planeta regido por alterações gravitacionais causadas por seus três sóis. Essa civilização está em busca de um novo lar no universo e consegue, quase casualmente, descobrir e se comunicar com a Terra. Evidentemente, eles cobiçarão nosso planetinha azul e estável.

Entre os elementos que me mais me agradaram na história estão:

  • A ambientação da história na Terra que se dá, obviamente, na China, a partir da Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung até os dias atuais. Há inúmeros elementos da vida e da história dos chineses que nos são completamente desconhecidos.
  • A concepção do povo que habita o sistema de três sóis e de como eles puderam evoluir frente à instabilidade.

Entre os elementos que não me agradaram integralmente no enredo estão:

  • A técnica narrativa que é muito evidente e, na minha opinião, irritante. A história de Ye Wenjie é contada aos pedaços, o que impede, de certo modo, a empatia com a personagem.
  • A história da evolução do povo dos três sóis que é contada por meio de um game bobinho no computador. Seria muito mais interessante que o autor se dispusesse a narrar a história desse povo, em lugar de fornecer pequenos flashes por meio do jogo.
  • A falta de coerência nas atitudes de Ye Wenjie. Alguém que sofreu as consequências de uma execução injusta e mortal, jamais submeteria outros seres humanos ao mesmo tipo de procedimento.

O livro faz parte de uma trilogia, mas há mérito do autor em fazer com que este primeiro volume seja completo em si. A história termina mostrando as possibilidades para o futuro, deixa o leitor satisfeito com sua completude e não parece exigir uma sequência. Particularmente, não pretendo ler os dois outros livros da trilogia. Dei-me por satisfeito com o que Cixin Liu descreveu.