Notre-Dame

Le Monde:

Notre-Dame de Paris : cinq ans pour reconstruire, mais comment ?

La volonté de travaux rapides affichée par l’Elysée et Matignon pourrait se heurter à la réalité des dommages et au délai de sécurisation du site, alors que deux points de fragilité subsistent.

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“La reconstruction de Notre-Dame de Paris sera un exercice d’humilité et de culture”.

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“C’est un coup de cœur à chaque fois que je m’approche d’elle”

Le Horla, primeiro parágrafo

Le Horla, primeiro parágrafo.

“8 mai – Quelle journée admirable ! J’ai passé toute la matinée étendu sur l’herbe, devant ma maison, sous l’énorme platane qui la couvre, l’abrite et l’ombrage tout entière. J’aime ce pays, et j’aime y vivre parce que j’y ai mes racines, qui attachent un homme à la terre où sont nés et morts ses aïeux, qui l’attachent à ce qu’on pense et à ce qu’on mange, aux usages comme aux nourritures, aux locutions locales, aux intonations des paysans, aux odeurs du sol, des villages et de l’air lui-même.”

Le Horla, Guy de Maupassant, 1887

Le Horla, Guy de Maupassant, 1887, 100 páginas.

Guy de Maupassant (1850-1893), escritor e jornalista francês. Em 1877, foi diagnosticado como portador de sífilis, chamada popularmente de “vérole”, em francês, e escreveu o que segue:

J’ai la vérole ! enfin la vraie, pas la misérable chaude-pisse, pas l’ecclésiastique christalline, pas les bourgeoises crêtes de coq, les légumineux choux-fleurs, non, non, la grande vérole, celle dont est mort François Ier. Et j’en suis fier, malheur, et je méprise par-dessus tout les bourgeois. Alléluia, j’ai la vérole, par conséquent, je n’ai plus peur de l’attraper !

Chaude-pisse: blenorragie.

Crêtes-de-coq: condylome acuminé , verrue genitale.

Durante seus últimos anos de vida, ele desenvolveu uma certa paranoia, provavelmente devida à sífilis, e seu estado físico e mental não cessava de se degradar. Em janeiro de 1892, Maupassant fez uma tentativa de suicídio, foi internado em uma clínica e morreu depois de dezoito mezes de inconsciência quase total.

Le Horla é um conto de 1887, em francês uma nouvelle. O livro que comprei no sebo traz um prefácio e cinco contos, o principal deles é Le Horla. Os outros contos são mais curtos e versam sobre a loucura e o medo.

Le Horla é um conto famoso e muito bom, tem suspense, mistério, terror, e muito já se escreveu sobre ele. Em resumo, Le Horla é um monstro ou entidade ou fantasma ou criatura invisível que se instala na casa do narrador. A criatura pode ser apenas fruto da imaginação doentia do narrador. Gradativamente, o narrador vai percebendo mais intensamente a presença da criatura, que chega a se alimentar de leite, pão, água e a passar as páginas de um livro aberto sobre a mesa. É curioso que Le Horla é brasileiro. Ele se instala na casa do narrador a partir da passagem pelo porto de um belo navio do Brasil. O narrador descobre a origem da criatura a partir de notícias de jornal que contam de eventos misteriosos na província de São Paulo. O conto é escrito em forma de diário e o narrador segue uma trajetória crescente de terror, ou de loucura. Vale a pena ler e conhecer a famosa criatura invisível.

Vinte mil léguas submarinas – Júlio Verne

Livro: Vingt milles lieues sous les mers / Vinte mil léguas submarinas
Autor: Jules Verne

Li este livro na juventude, em português, e agora, na era kindle, reli o livro na língua original, em francês. Recordo que havia, na casa dos meus pais, uma coleção de livros de Júlio Verne. Não recordo, exatamente, quantos livros de Verne eu li, mas sei que era fascinado por suas histórias. Aqui vai o link para a edição em português:

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Os quatro principais livros de que me lembro são a Viagem ao Centro da Terra, Vinte Mil Léguas Submarinas, Cinco Semanas em um Balão e a A Volta ao Mundo em Oitenta Dias.

Desses quatro, penso que o melhor é a A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, que reli recentemente, em francês, e que comentei neste blog. Parece que, aqui, Verne conseguiu equilibrar com maestria os personagens e a aventura, que não tem nada de ficção científica, diga-se.

Esse Vinte Mil Léguas Submarinas também é muito bom. Li com interesse renovado suas 600 páginas (na edição em francês – 512 páginas na edição em português). Ou seja, este é um livro volumoso que prende o leitor. É uma aventura adequada para jovens e adultos, sem distinção.

Essa aventura margeia a ficção científica, visto que não havia submarinos na época em que foi escrita, mas este era um aparelho que, previsivelmente, seria construído um dia.

A aventura decorre do aprisionamento de um cientista francês, seu ajudante flamengo e um arpoador canadense em um submarino misterioso. Os três faziam parte de uma expedição que corria os mares em busca de exterminar o tal submarino. Entretanto, eles imaginavam caçar um animal fantástico e poderoso, um narval, que estaria causando acidentes à navegação.

Quase todo mundo sabe, mais ou menos, a história do submarino Nautilus e de seu intrigante capitão Nemo, que detesta os seres humanos e a terra firme habitada. Os três personagens aprisionados por Nemo participam de várias aventuras dentro e fora da embarcação. Caminhadas submarinas com escafandros, lutas contra polvos gigantes, tempestades, icebergs.

Há algumas partes tediosas quando Verne se põe a descrever as centenas de espécimes de flora e fauna que o cientista tem a oportunidade de observar e estudar. Em relação à técnica narrativa, penso que o personagem do canadense Ned Land é pouco aproveitado e, como ele não tem muito a fazer trancado dentro de um submarino, Verne o esquece. É como se Ned Land passasse a maior parte da viagem dormindo em sua cabine. Ao final, a fuga dos três é pouco elucidada.

Como sempre, Verne gosta de brincar com o nome dos personagens. Um exemplo é o misterioso capitão Nemo, cujo significado é Ninguém, em latim, e do qual nunca saberemos de onde veio e qual o motivo de seu ódio a uma parte da humanidade.

De todo modo, é um livro que se lê com prazer, vale a pena.

Le Château – Franz Kafka

Livro: Le Château (O Castelo)
Autor: Franz Kafka

Kafka deixou todos os seus escritos, publicados e não publicados, para o amigo Max Brod, tornado herdeiro dos direitos sobre a obra de Kafka. Também deixou instruções para que todos os seus originais fossem queimados sem ser lidos. Brod não obedeceu. No caso deste livro, O Castelo, vê-se que Kafka tinha razão: o esboço deveria ter sido destruído.

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Suponho que todos sabem que O Castelo é uma obra inacabada. Entretanto, há livros inacabados que funcionam mesmo assim. Não é o caso deste. O livro termina no meio da história, sem indicação de uma possível conclusão.

Mas este não é o seu principal problema. O fato é que o livro não parece ter sido revisado pelo autor, o livro parece ser, efetivamente, um rascunho de história. Há trechos incongruentes, não por uma suposta atmosfera kafkiana, mas por falta de sentido. Há mudanças repentinas e voláteis de sentimentos, em um momento ama-se alguém, em outro momento muda o amor, os objetivos.

A história mostra a situação do senhor K que chega a uma vila para trabalhar a serviço dos senhores do castelo local. Esse castelo domina a vida da localidade. O senhor K quer porque quer subir ao castelo, ter acesso ao prédio e aos seus ocupantes. Tenta de diversas maneiras se encontrar com funcionários graduados da administração, quando esses funcionários descem até a vila. No entanto, é sempre impedido de conseguir seus propósitos.

Para Max Brod, o castelo representava o divino e sua inacessibilidade. Penso que essa interpretação é excessivamente piegas. O castelo representa o poder e sua burocracia. Há belos trechos onde se demonstra que a burocracia manda e desmanda sem razão, sem nem mesmo compreender o motivo das ordens que dela emanam. Há ordens e contraordens e nenhum funcionário sequer se preocupa com sua efetividade, ou com o cotidiano dos habitantes. E evidentemente, na vida real, os grandes, os poderosos da burocracia nos são inacessíveis, e chegam mesmo a se esconder dos nossos olhares e a fugir da nossa presença.

Le Tour du Monde en Quatre-vingts Jours – Jules Verne

Livro: Le Tour du Monde en Quatre-vingts Jours
Autor: Jules Verne

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Quando jovem, li muitas das obras de Júlio Verne em português e eu adorava suas histórias fantasiosas. Depois que comprei o kindle, aproveitei para baixar algumas obras em francês e gratuitamente.

Júlio Verne era uma pessoa interessada na ciência de ponta que se fazia no século XIX. Daí seus livros que contam sobre viagens à Lua e sobre submarinos.

Talvez o melhor livro de Verne seja esse, “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”. É um livro que pode divertir jovens e adultos. Eu o li agora com a mesma alegria que li da primeira vez.

O livro é muito bem-humorado e da mesma forma que Phileas Fogg é uma caricatura do inglês típico, seu ajudante Passepartout é uma caricatura dos franceses.

Quase todo mundo conhece a história. Phileas Fogg, fleumático e metódico, aposta que pode dar a volta ao mundo em oitenta dias. Ele parte com o seu empregado Passepartout nessa aventura. No percurso, enfrentam atrasos, tempestades e ataques de índios norte-americanos. Na Índia, eles salvam uma jovem viúva de ser cremada juntamente com o cadáver do marido. Além de todos os contratempos, eles ainda enfrentam as sabotagens do Detetive Fix que confundiu o Sr. Fogg com um assaltante de banco e tenta prendê-lo, sem sucesso.

Por fim, é curioso notar que Verne tem predileção por nomes com significado. Passepartout significa algo como aquele que escapa de tudo, Fogg deve ser uma homenagem ao famoso nevoeiro londrino e Fix seria aquele que tenta consertar as coisas, apesar do seu julgamento incorreto.

Recomendo. Vale a pena ler ou reler.


Trechos.

“Tiens! Mais vous êtes un homme de coeur!” dit Sir Francis Cromarty.
“Quelquefois,” répondit simplement Phileas Fogg, “quand j’ai le temps.”

“(…) cette ville absolument américaine et, comme telle, bâtie sur le patron de toutes les villes de l’Union, vastes échiquiers à longues lignes froides, avec la ‘tristesse lugubre des angles droits”, suivant l’expression de Victor Hugo. Le fondateur de la Cité des Saints ne pouvait échapper à ce besoin de symétrie qui distingue les Anglo-Saxons. Dans ce singulier pays, où les hommes ne sont certainement pas (…)”