Grana, desejo, Bovary

O principal problema das gentes é a insuficiência de grana, o dinheiro nunca é suficiente para tudo que precisamos, tudo que desejamos, muitas vezes não é suficiente nem para o essencial. Depois da grana vem o desejo, principalmente sexual, que nos atormenta por grande parte da vida. O amor não é uma questão, um problema, o amor é uma ilusão. Na base, ou no fundo do que se convenciona chamar de amor está o desejo, o egoísmo. A literatura, geralmente, ignora o problema da grana e se concentra no desejo. Em Madame Bovary, Flaubert une as duas pontas e Emma se suicida no momento em que está mais ferrada de dívidas.

José Castello

“Como posso fechar os Contos, de Tolstoi, publicados no ano de 1869 (…) ou reler Madame Bovary, romance que Flaubert nos deu em 1857, e retornar, sem feridas, à linha reta dos relógios?”

José Castello no jornal Rascunho.