Le Horla, Préface de Alain Pozzuoli

245.

Le Horla, Préface de Alain Pozzuoli.

“Qu’est-ce qu’un Horla ? Un fantôme? Un vampire ? Une entité diabolique ? Tout lecteur de la nouvelle de Guy de Maupassant se pose la question dès la premirère lecture. En effet, l’histoire de cet homme saisi par une folle obsession nous impose un délicieux malaise, un questionement pernicieux qui ne nous lâche pas. Cette nouvelle, dont deux versions existent, est l’une des plus marquantes qu’ait écrites Guy de Maupassant. Mais quelles furent les raisons qui poussèrent son auteur à écrire un tel texte?.”

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Anotação 244

244.

O rapaz fez um desenho bobo.
Um trabalhador da construção.
Pleno de pretensões artísticas.

A moça viu o desenho.
Nos riscos da calça,
Eu só consigo ver carinhas tristes.

Ela falou.
Anotei essa frase, tão bela.
Ele disse.

Anotação 239

239.

Acordou às quatro e cinquenta, espreguiçou na cama, preguiça de levantar, levantou, banho, mochila, bicicleta, escritório às cinco e cinquenta e sete. Pesquisa sobre Tiago e Miguel, para o livro que escrevia, um assunto levava a outro, tudo encarrilhado. Almoço, na ida viu uma nuvem negra que se aproximava da cidade, vinda do mar e, na volta, chuva, molhou-se, trocou a camisa. A pesquisa sobre Miguel conduziu a Suzana. Continuava a fazer o desenho, há dias se ocupava daquele desenho bobo. Bicicleta, casa, dia nublado, decidiu não ir ao pedal da noite. Padaria, seis pães, farmácia, remédios. Sono, xadrez, leitura, gps, banho, café. Uma lista infinda encarrilhada. Isabel chegou por volta de nove horas, contou que foi a um dado lugar que costumava estar cheio de pessoas e daquela vez estava “vazilíssimo”, neologismo que ela criou de supetão, e ambos acharam muita graça da palavra. Ela foi para a sala, ligou a tevê, sem assistir pois manuseava o telefone, o som da tevê não permitia que ele continuasse a ler, Leo não queria continuar a leitura em seu gabinete pois a mesa estava coberta de papéis e desenhos. Preparou tudo e foi para o quarto. Leitura e dormir. Notou que Isabel deitou tardíssimo.

Le Horla, primeiro parágrafo

Le Horla, primeiro parágrafo.

“8 mai – Quelle journée admirable ! J’ai passé toute la matinée étendu sur l’herbe, devant ma maison, sous l’énorme platane qui la couvre, l’abrite et l’ombrage tout entière. J’aime ce pays, et j’aime y vivre parce que j’y ai mes racines, qui attachent un homme à la terre où sont nés et morts ses aïeux, qui l’attachent à ce qu’on pense et à ce qu’on mange, aux usages comme aux nourritures, aux locutions locales, aux intonations des paysans, aux odeurs du sol, des villages et de l’air lui-même.”

Ni “verdad” ni “mentira”

Nota no Don Quijote.

“En las culturas con una alfabetización insuficiente, la escritura conllevaba o todavía conlleva un plus de veracidad: el mero hecho de constar por escrito parecía garantizar la realidad de una noticia o de un relato. Los requisitos legales necesarios para la publicación de una obra tendián a avalar esa impresión, y tanto más cuanto que los volúmenes de Don Cirongilio de Tracia y de la Historia del Gran Capitán se le presentaban al ventero (como, en su locura, a Don Quijote) con el mismo aspecto en cuanto portadas, formato, etc. En el siglo XVII, la categoría moderna de la ficción, un tipo de lenguaje que no es ni “verdad” ni “mentira”, sino que tiene un estatuto propio, no estaba aún solidamente establecida.”

Le Horla, Guy de Maupassant, 1887

Le Horla, Guy de Maupassant, 1887, 100 páginas.

Guy de Maupassant (1850-1893), escritor e jornalista francês. Em 1877, foi diagnosticado como portador de sífilis, chamada popularmente de “vérole”, em francês, e escreveu o que segue:

J’ai la vérole ! enfin la vraie, pas la misérable chaude-pisse, pas l’ecclésiastique christalline, pas les bourgeoises crêtes de coq, les légumineux choux-fleurs, non, non, la grande vérole, celle dont est mort François Ier. Et j’en suis fier, malheur, et je méprise par-dessus tout les bourgeois. Alléluia, j’ai la vérole, par conséquent, je n’ai plus peur de l’attraper !

Chaude-pisse: blenorragie.

Crêtes-de-coq: condylome acuminé , verrue genitale.

Durante seus últimos anos de vida, ele desenvolveu uma certa paranoia, provavelmente devida à sífilis, e seu estado físico e mental não cessava de se degradar. Em janeiro de 1892, Maupassant fez uma tentativa de suicídio, foi internado em uma clínica e morreu depois de dezoito mezes de inconsciência quase total.

Le Horla é um conto de 1887, em francês uma nouvelle. O livro que comprei no sebo traz um prefácio e cinco contos, o principal deles é Le Horla. Os outros contos são mais curtos e versam sobre a loucura e o medo.

Le Horla é um conto famoso e muito bom, tem suspense, mistério, terror, e muito já se escreveu sobre ele. Em resumo, Le Horla é um monstro ou entidade ou fantasma ou criatura invisível que se instala na casa do narrador. A criatura pode ser apenas fruto da imaginação doentia do narrador. Gradativamente, o narrador vai percebendo mais intensamente a presença da criatura, que chega a se alimentar de leite, pão, água e a passar as páginas de um livro aberto sobre a mesa. É curioso que Le Horla é brasileiro. Ele se instala na casa do narrador a partir da passagem pelo porto de um belo navio do Brasil. O narrador descobre a origem da criatura a partir de notícias de jornal que contam de eventos misteriosos na província de São Paulo. O conto é escrito em forma de diário e o narrador segue uma trajetória crescente de terror, ou de loucura. Vale a pena ler e conhecer a famosa criatura invisível.

Quatro três é dez

230.

Os camelôs, as barracas, as barraquinhas, as bancas, as carroças, as lojas, as lojinhas, estão vendendo bandeirinhas do Brasil. Leo passou por uma carroça que impávida ocupava a esquina, e tornava mais pior a vida dos coitados pedestres, também dos motoristas, e perguntou quanto é a bandeirinha. O moço respondeu: quatro três é dez.