Machadochico

Machadochico:

“O tilbury, (…), promete ir à destruição da cidade. Quando esta acabar e entrarem os cavadores de ruínas, achar-se-á um parado, com o cavalo e o cocheiro em ossos, esperando o freguês do costume. A paciência será a mesma de hoje, por mais que chova, a melancolia maior, como quer que brilhe o sol, porque juntará a própria atual à do espectro dos tempos. O arqueólogo dirá cousas raras sobre os três esqueletos.”

Este trecho de um conto de Machado, no qual ele discorre sobre o tilbury, o cab e o cabriolet na paisagem urbana do Rio de Janeiro, me fez pensar na música de Chico Buarque, Futuros amantes, que fala do mesmo Rio da seguinte forma: “E quem sabe, então o Rio será alguma cidade submersa. Os escafandristas virão explorar sua casa, seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos.”

Ambos trazem esse pensamento melancólico de nossa breve passagem pela cidade, nossos restos dispostos aleatoriamente para arqueólogos e escafandristas desocupados.

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The Lolita Workout

95. Humbert the Cubus, em referência a suposto íncubo que visitasse Lolita à noite.

96. Não uma chantagem, porém algo mais leve. Donde a brincadeira com as palavras: “blackmail” (chantagem) e “mauvemail”, uma palavra inventada a partir de “mauve” (púrpura).

97. Charlotte Haze, uma mulher atraente, e “she was my Lolita’s big sister”.

98. Mabel e Marion, duas meninas que passam pela rua (“Cowan, Marion” e “Glave, Mabel” na lista escolar). Mabel, uma verdadeira ninfeta, usava uma blusa que chamamos “frente-única”, em português, uma “halter” ou “halter top”, em inglês. E Nabokov aproveita para brincar: a “halter with little to halt”. Porém, “who could replace my Lolita?”.

99. Humbert gosta dos títulos inventados, imponentes, o carro de Charlotte, “the Blue Sedan”. Ele, HH, como “this Green Goat”.

100. Humbert cuida dos dentes-de-leão do jardim. “Dandelion” em inglês, que palavra curiosa, etimologia, vem evidentemente do francês “dent-de-lion”.

Mais Machado

“Uma das filhas do comendador tratava-me com particular atenção. A nenhuma dei corda; o celibato era a minha alma, a minha vocação, o meu costume, a minha única ventura.”

“Quando ela falava, tinha um modo de umedecer os beiços, não sei se casual, mas gracioso e picante. Creio que, vistas assim ao pé, as feições não eram tão corretas como pareciam a distância, mas eram mais suas, mais originais.”

“Com pouco, apaixonei-me pela sobrinha. Não me pesa confessá-lo, pois foi a ocasião da única página da minha vida que merece atenção particular. Vou narrá-la brevemente; não conto novela nem direi mentiras.”

“— Bem, mas eu sou uma senhora casada, e nem por estar separada do meu marido deixo de estar casada. O senhor ama-me, não é? Suponha, pelo melhor, que eu também o amo; nem por isso deixo de estar casada”

(from “Obras Completas de Machado de Assis II: Coletâneas de Contos (Edição Definitiva)” by Machado de Assis)

Mais Machado

“A última carta falava de suicídio. Brotero, ao reler esse tópico, sentiu uma coisa indefinível; chamemos-lhe o “calafrio do ridículo evitado”. Realmente se ele se houvesse eliminado, não teria o presente desgosto político e pessoal; mas o que não diriam dele nos pasmatórios da Rua do Ouvidor, nas conversações à mesa? Viria tudo à rua, viria mais alguma coisa; chamar-lhe-iam frouxo, insensato, libidinoso, e depois falariam de outro assunto, uma ópera, por exemplo.”

(from “Obras Completas de Machado de Assis II: Coletâneas de Contos (Edição Definitiva)” by Machado de Assis)

Notre-Dame

Le Monde:

Notre-Dame de Paris : cinq ans pour reconstruire, mais comment ?

La volonté de travaux rapides affichée par l’Elysée et Matignon pourrait se heurter à la réalité des dommages et au délai de sécurisation du site, alors que deux points de fragilité subsistent.

*

“La reconstruction de Notre-Dame de Paris sera un exercice d’humilité et de culture”.

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“C’est un coup de cœur à chaque fois que je m’approche d’elle”

Flavio Cafiero

Flavio Cafiero, autor de Espera passar o avião.

“Costumo ler bastante meus contemporâneos (…). Os nacionais, como o Cristovão Tezza, o Michel Laub, o Luiz Ruffato, a Elvira Vigna e também o Reinaldo Moraes. E os estrangeiros, como o Franzen, Lydia Davis, Coetzee, Ian McEwan, Paul Auster e muito Philip Roth. Mas também leio muito Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Machado de Assis. Gosto de alternar e de revisitar.”